Flexibilização do isolamento e maior disponibilidade de crédito puxaram crescimento, afirma a entidade. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 75%

Loja de automóveis. — Foto: Reprodução/TV TEM

Os emplacamentos de veículos caíram 74,7% em maio, quando comparados a 2019, segundo a associação das concessionárias (Fenabrave). Porém, os resultados divulgados nesta terça-feira (2) mostram crescimento de 12% em relação a abril.

O setor ainda sofre impacto da pandemia do coronavírus. Até o final de maio, grande parte das fábricas e das concessionárias estavam com suas atividades paralisadas.

Para a entidade que representa os revendedores, as medidas de flexibilização do isolamento adotadas nos estados e municípios, além de uma maior disponibilidade de crédito para os clientes, ajudaram no resultado positivo entre abril e maio.

“Muitas concessionárias voltaram a atuar, e isso gerou, ainda que em uma base muito baixa, mas um crescimento importante”, disse Alarico Assumpção Jr., presidente da Fenabrave, ao G1.

Os números de maio, comparados aos de abril, cresceram 11,6%. Em abril, foram 55.725 exemplares emplacados, contra os 62.197 de maio.

O que também ajudou nas vendas foram as ações feitas pelas marcas, como vendas online e em redes sociais, test-drive delivery e pagamento de parcelas.

Os segmentos de ônibus e caminhões tiveram as melhores retomadas entre os meses, com crescimento de 78,7% para o primeiro e 21,1% para o segundo.

Além das medidas de menor isolamento, a Fenabrave afirmou que o crédito está chegando mais ao cliente. A aprovação de fichas de financiamento passou de 30% para 56%.

“O crédito melhorou consideravelmente de um mês para outro”, disse Alarico.

‘Despencou’ em relação a maio de 2019

Se as comparações de um mês para outro são positivas, ao comparar com o cenário antes da crise a diferença ainda é grande. Foram emplacados 62.197 automóveis, comerciais leves (furgões e picapes), caminhões e ônibus, contra 245.440 de maio do ano passado.

A maior queda ficou para os automóveis, que viram suas vendas despencarem 77,8%, de 198.756 para 44.139. Já a menor foi a dos caminhões, com emplacamentos 48,5% menores, de 9.197 para 4.736.

Nos acumulados de 2020 e 2019 até maio também houve queda, mas menor em relação aos resultados de abril, de 37,7%. O número caiu de pouco mais de 1 milhão para 675.971.

De acordo com a Fenabrave, o volume atual do acumulado regrediu 22 anos, ou seja, é equivalente ao de 1998.

55% das lojas abertas

Com 7.300 concessionárias espalhadas pelo país, a Fenabrave informa que 55% delas estão em total funcionamento agora no começo de maio. No mês passado, a entidade afirmou que se as lojas não voltassem a funcionar 30% delas poderiam quebrar.

Em abril, cerca de 45% das lojas estavam abertas, mas ainda trabalhando em regime parcial. De acordo com a entidade, ainda não foi contabilizado se houve o fechamento de concessionárias por causa da crise do coronavírus.

Para a entidade, anda é cedo para rever as previsões do ano. “Devemos fazer isso no fechamento do 1ºsemestre”, disse Alarico.

Por modelo

O ranking de emplacamentos por modelo mostra o tamanho da queda do mercado. Apenas dois deles tiveram números acima de 2 mil unidades.

O Chevrolet Onix fechou o mês com 3.296 unidades (antes da pandemia, o líder chegou a emplacar mais de 20 mil no período) e, o Hyundai HB20, com 2.218.

O recém-lançado Tracker ficou mais um mês como o SUV mais vendido do Brasil, apesar do lançamento feito já com as lojas fechadas pela Covid-19. Foram 1.564 unidades, contra 1.293 do segundo colocado, o Jeep Renegade.

Chevrolet Tracker — Foto: Divulgação/Chevrolet

Chevrolet Tracker — Foto: Divulgação/Chevrolet

Entre os comerciais leves, a Fiat Strada permanece na liderança mesmo com a chegada de uma nova geração e emplacou 1.983 exemplares. A Toro vem logo em seguida, com 1.662.

Vendas ou emplacamentos?

Em maio, os emplacamentos caíram 75% em relação ao mesmo período de 2019. Isso não quer dizer, no entanto, que as vendas tenham caído na mesma proporção.

A confusão nas definições pode ser explicada porque uma venda não significa, necessariamente, um emplacamento. As fabricantes, por exemplo, afirmam que os números reais do mercado podem ter sido “mascarados”.

Alarico Assumpção Jr, presidente da Fenabrave, a associação das concessionárias, discorda. “Ele é 100% real (o número de emplacamentos). São veículos faturados, independentemente de estarem com o porte ou não da placa. A partir do instante que ele tem a nota fiscal emitida, ele já sai para o sistema do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) nacional automaticamente”, afirmou.

O Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), porém, disse que um veículo só é considerado emplacado quando o Detran estadual recebe os documentos do veículo e a nota fiscal para fazer as transações necessárias com o Renavan para emplacar.

“Como este procedimento está parado (emplacamentos) devido à pandemia do coronavírus, os dados de abril poderão ter diferença no número de veículos vendidos e comprados”, afirmou o Denatran.

fonte: https://g1.globo.com/carros/noticia/2020/06/02/emplacamentos-de-veiculos-novos-caem-75percent-em-maio-diz-fenabrave.ghtml